Lembrança Amar…ela (parte 2)

Camiseta Amarela

Reprodução

Amor à segunda vista. Isso é nome de filme, mas aconteceu na vida real. Quando a vi se aproximando, é como se o mundo tivesse me falado: “você vacilou da primeira vez. Aproveita esta chance”. Eu tinha que aproveitar. Estava apaixonado há 60 segundos, aproximadamente. 

Ela me cumprimentou com um beijo na bochecha. Não aquele beijo falso, rosto com rosto. Ela literalmente me deu um beijo gostoso e estalado na bochecha. 

– Eu sou Pedro.

– Eu sei.

– Esta saindo do carro é a minha amiga Renata.

– Oi ‘amiga’ Renata. Muito prazer.

– O prazer é meu.

– Então, vamos nessa? – Perguntou Roberto. 

Beto abriu o carro. A Renata entrou e se sentou atrás do banco do passageiro. Sentei-me atrás do Beto mantendo uma distância segura da Renata, mas de uma forma que eu pudesse ver a Laura. Rapidamente decidimos ir a um mercado comprar umas bebidas. A ideia era encher a cara em uma pracinha perto de casa. No caminho, começamos a conversar sobre coisas do tipo que banda você gosta, qual o último filme que viu, que baladas você freqüenta… Mas a verdade é que, em no máximo em 5 minutos, o Beto dirigia calado, a Renata olhava emburrada pela janela e a Laura soltava o cinto de segurança para poder se virar e me olhar enquanto conversávamos. Parecia que estávamos sozinhos. 

Quando chegamos ao mercado chamei o Beto de canto. Enquanto as meninas continuaram andando. 

– Estou apaixonado.

– Caramba, Pedro! Não sabia que o lance com a Renata estava sério.

– Não, não é nada disso. Estou apaixonado pela Laura.

– Tá zoando! Que papo é esse? Você me deu o telefone dela. Nem se interessou.

– Eu sei, eu sei. Mas quando a vi com a aquela camiseta amarela da cor do fusca, tudo mudou. Estou apaixonado. É sério.

– Beleza. Você quem sabe. – Falou contrariado.

– Beto, jura que não vai ficar com ela? 

Beto hesitou. 

– Beto, jura!? Você já tem um lance sério com a Alessandra. Não faz isso comigo.

– Tudo bem. Não vou ficar com ela. Seu cabeludo maluco.

– Te amo, cara! 

Compramos duas garrafas de Contini e grandes barras de chocolate Diamante Negro. Ouvi dizer que a combinação era boa para dar um grau. Chegamos na pracinha. Sem sair do carro, fazíamos um rodízio da garrafa e do chocolate. Não tardou para a bebida fazer efeito e logo estávamos rindo de qualquer besteira. Meu sorriso só sumiu quando o Beto saiu do carro com a Laura. Tive a sensação de que ele não cumpriria o juramento. 

Fiquei sozinho com a Renata. Um segundo após os dois saírem do carro ela pulou pra cima e começou a me beijar. Posicionou-se sobre as minhas coxas, prendeu os cabelos louros, me convidado a beijar seu pescoço. Tirou sua camiseta, depois seu sutiã. Pegou minhas mãos e as colocou sobre seus seios. Voltou a me beijar, mas eu não estava afim. Estava com cabeça fora do carro. 

Os dois demoraram cerca de uma hora para voltar ao fusca. Tempo o suficiente para eu acabar com o Contini e com o Diamante Negro. Os convenci a parar no mercado para comprar mais. Fomos para minha casa, continuei bebendo. Na verdade, fui o único que continuou bebendo. Coloquei uma música, deitei no tapete, a Renata deitou ao meu lado. Depois pensei que a música foi uma péssima ideia, pois ajudaria a rolar um clima. Bingo! Olhei para o lado e vi o Beto beijando a Laura. Senti o mundo girando e apaguei. 

Quando me dei conta, estava sentado em uma cadeira de rodas. Eles tinham me levado ao hospital, após perceberem que eu havia desmaiado de bêbado. Não vi a Renata, ela deve ter ficado puta da vida comigo. Também não me lembro do Beto. Só me lembro da garota com camiseta amarela segurando minha mão e dizendo que tudo ficaria bem. Que ela nunca me abandonaria. 

Naquele momento, nada mais importava. Eu sabia que ela seria minha. 

Quando acordei, já estava em casa, deitando em minha cama. Não sei como voltei. Provavelmente o Beto me trouxe. Só sei que acordei numa disposição tremenda. Devo ter tomado tanto soro que nem estava sentindo a ressaca. Muita coisa não estava clara em minha cabeça, mas me lembrei do principal. O Beto beijando a Laura, quebrando seu juramento, e eu deixando a Renata na mão. Mas ela já não fazia mais parte da minha vida. Independente do que aconteceu, eu sabia que a Laura ficaria comigo. E sabia onde encontrá-la. 

Cheguei na boate por volta da meia-noite. Fui sozinho, não queria dividir aquele momento com ninguém. Há três dias eu tinha me apaixonado e agora estava ali para tomá-la em meus braços. Paguei a entrada, passei pela revista, e quando olhei a escada que me levaria à pista do Rock, lá estava ela subindo os degraus. Vestia jeans claro e camiseta branca, bem mais discreta. Não precisei ver seu rosto para saber que era ela. Eu sabia que estávamos conectados, sabia que ela estaria na boate em que nos vimos pela primeira vez. Só não contava que ela iria acompanhada. 

Não me intimidei. Muito pelo contrário. Senti uma euforia imensa. Estava tudo escrito, e com certeza eu passaria uma borracha sobre aquele coadjuvante. O cara era o oposto de mim. Enquanto eu estava com jeans rasgado e camiseta do Nirvana, o fulano estava todo engomado, com calça social e camisa rosa. Enquanto meus longos cabelos sebosos cobriam meu rosto, o cabelo do viadinho até brilhava de tanto gel. O que ela viu nele? Dane-se. Ela seria minha. 

Fui para o bar e pedi uma cerveja. Pensei no St. Remy com cereja, mas desisti. Como sempre, minha amiga não cobrou. Eu devia ter ficado com ela, mas tinha medo de que longe do bar ela fosse imperfeita. Preferi continuar com a ilusão. Andei pela pista e fiquei a observando. Ela conversava com o “mauricinho”, mas mantinha uma pequena distância dele. Com certeza não eram tão íntimos. Finalmente ela me viu. Abriu um belo sorriso e acenou com a cabeça. A cumprimentei levantando meu copo, mas não fui falar com ela. 

Fiquei encostado na parede, até que uma garota se aproximou. Sheila. Uma “patricinha” que me esnobava na escola, mas que agora estava ali querendo atenção. Bem, se eu não beijaria a Laura naquela noite, a Sheila era uma boa opção. Fui para o bar e enfim pedi meu adorado St. Remy com cereja. 

O clima começou a esquentar. O rock rolava a todo volume e a tensão aumentava. Eu beijava a Sheila enquanto olhava para Laura. Laura beijava o playboy enquanto olhava para mim. Ambos sabíamos que aquilo não era sincero. Beijos falsos apenas para provocar. No fundo, queríamos estar juntos. Eu tinha certeza disto. Então resolvi tomar uma atitude. Resolvi ir embora. 

Dei um beijo de despedida na Sheila. Ela reclamou que a balada ainda estava no início, mas insisti que eu precisava ir embora. Ela me ofereceu uma carona pra casa. Apesar de morarmos perto, não aceitei. Queria andar. Espairecer um pouco. Prometi que nos veríamos de novo e dei as costas. Fui para o bar. Peguei um guardanapo e uma caneta. Dei um selinho na minha amiga e agradeci por ela ser tão legal comigo. 

Enquanto atravessa a pista para ir embora, fiz um pit stop em frente ao casal. O fulano não entendeu nada. O encarei por alguns segundos. Senti vontade de espancá-lo, mas a fúria passou quando a olhei nos olhos. Dei um sorriso bobo. Ela retribuiu com um sorriso tímido, envergonhado. Estiquei o guardanapo. Ela o segurou e não conteve o sorriso mais aberto. Suas bochechas ficaram coradas e seus olhos brilharam, retribuindo meu olhar apaixonado. 

– Me liga.

– Vou ligar. 

Continua…

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4 comentários

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4 responses to “Lembrança Amar…ela (parte 2)

  1. Daniele Villarim

    Gosto de como vc conta historia. Gosto mto msm!!!!

  2. karina Fernandes

    Adoro casa texto que leio

  3. karina Fernandes

    ops Errei *adoro cada texto cada frase cada palavra *

  4. Lívia

    Nossa muitoo bom , estou amando cada parte …

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