Lembrança Amar…ela

Imagem de Igor Alecsander - http://www.igoralecsander.com

Estava numa cadeira de rodas sendo empurrado em direção a um corredor estreito, mas muito iluminado. Meus olhos só enxergavam o clarão, meu coração estava a mil por hora, minhas mãos estavam dormentes, não tinha controle sobre elas, meus dedos pareciam que estavam atrofiando. Minha respiração estava acelerada e eu tremia descontrolado. Não podia ser. Aquilo não estava acontecendo. Fiquei enjoado. Um gosto ruim subiu para minha boca e eu quase vomitei. Estava muito tonto. Queria levantar daquela cadeira maldita, mas não sentia minhas pernas. Alguém segurou minha mão. Olhei para frente e vi uma coisa amarela. A visão mais linda. A camiseta era da cor do fusca. Eu chorava e sorria. Acho que vou morrer. 

“Não se preocupe. Não vou te abandonar”. 

Mentira. 

A vi pela primeira vez em um boate. Ela estava acompanhada de duas amigas, encostada na parede perto do balcão do bar. Não tinha quem não as olhasse. Na verdade, todos a olhavam. Morena, cabelos castanhos na altura dos ombros, pele branquinha, dona de um rosto delicado, com um sorriso tímido e olhar meigo. Parecia uma princesa. Talvez por isso, todos olhavam, mas ninguém se aproximava. Até que larguei meu St. Remy com cereja e caminhei até ela. Dizem que St. Remy com cereja é bom pra beijar. Por que não tentar? 

– Meu nome é Pedro. Qual seu nome?

– Laura.

– Oi Laura. Tá vendo aqueles caras que não param de olhar pra cá? – Ela deu uma espiada de lado. – Eles são meus amigos. Todos querem seu telefone, mas não têm coragem de vir aqui pedir. Então pensei que se eu viesse até aqui, você se sentiria comovida com minha coragem, e, quem sabe, me daria o número do seu telefone.

– Tudo bem.

– Tudo bem? – Ela me deu um olhar suspeito e fez um gesto sutil de aprovação com a cabeça – Então tá. Vou pegar uma caneta. 

Anotei seu telefone em um guardanapo e me despedi com três beijinhos e um “muito prazer”. Cumprimentei suas amigas e sai fora. Em seguida fui até meus camaradas e lhes entreguei o papel. “Não acredito”, um deles falou, “O número deve ser falso”, disse o outro. “Ela te deu mole mesmo, ou ficou afim de um de nós?, perguntou um terceiro.  “Não sei”, respondi. “Apenas cheguei lá, me apresentei, pedi o telefone dela e ela me deu. Podem ligar se quiserem.” – Dei as costas e voltei para meu St. Remy

Não sei o que me motivou a ter aquela atitude. Talvez eu só quisesse me aparecer, provar que era o melhor, que poderia ter a menina que eu quisesse. Mas a verdade, é que não me interessei. Aquela noite eu só queria encher a cara e paquerar a barwoman que sempre me dava bebidas de graça. Existe uma mulher melhor do que aquela que te dá bola e que sustenta seu vício? 

Os dias passaram, o tédio tomou conta de mim. Comecei a sair com uma amiga da minha irmã, mas era só para passar o tempo. Renata tinha fama de assanhada e era exatamente o que eu precisava naquele momento. Uma menina bonita e fogosa que não queria compromisso. Tudo ia bem, até que o Roberto me ligou. 

– E aí Pedro, beleza?

– Fala Roberto! De boa. O que contas?

– Lembra aquela ‘mina’ que você pegou o telefone na balada?

– Mais ou menos. O que tem?

– Liguei pra ela e marcamos de sair. Falei que você ia junto.

– Bacana. Afinal, o número era verdadeiro. Você se separou da Alessandra?

– Não.

– Você não presta.

– Elas não precisam saber.

– Me pega as sete. A Renata vem pra cá. Bye!

– Fechou. 

No horário combinado o Roberto apareceu. Estava sozinho. Preferiu me pegar primeiro, pois achou que… Sei lá o que ele achou. Me sentei no banco de trás do carro com a Renata, enquanto o Beto fazia a vez de chofer. Chofer de um fusca amarelo 1975. Clássico. Pena que nos deixava na mão na maioria das vezes. 

A Renata estava no pique. Foi só o Beto ligar o fusquinha que ela veio pra cima de mim e começamos a dar uns amassos. Quinze minutos de safadeza e chegamos ao prédio onde morava a futura amante do Beto. Ele desceu do carro e foi até a portaria. Mais cinco minutos de pegação e ela desceu. Tentei ver quem era, mas a Renata não saia de cima. A empurrei delicadamente e olhei pelo vidro traseiro do carro. Eles estavam meio longe e não consegui ver direito. Resolvi sair do carro. Não consegui segurar a risada. 

– Não acredito. – Falei sozinho – Ela está usando uma camiseta da cor do fusca. Mas não é a mesma menina que peguei o telefone. Esta tem cabelo ‘joãozinho’. Será que é ela? 

Era. 

Conforme eles foram se aproximando, meu coração disparou. Aquele rosto de princesa… Tinha certeza. Era ela. O cabelo tinha mudado, mas o sorriso tímido e o olhar meigo eram os mesmos. Ela vestia calça jeans, um All Star branco surrado e aquela camiseta amarela que combinava com o carro. Ah, aquela cor jamais sairia da minha cabeça. 

Sorri como um bobo. Foi amor à segunda vista. 

Continua…

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5 comentários

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5 responses to “Lembrança Amar…ela

  1. Daniele Villarim

    Essa será mais uma otima historia, qro ver logo este final, mas será que ele será feliz ou infeliz????

  2. Igor

    Vai toma no c******* seu gtyfrhf tf sfhcy, to no metro kendo ansioso termina assim? Agora sério, ótimo texto

  3. Ed Mesquita

    muito9 bom Netinho, ancioso pelo o final, flw

  4. Lívia

    Não acredito que continua rs , muito bom … agora tem o finalll

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